Pernambucana quilombola vence Prêmio LED Globo com filtro de pinha para resíduo tóxico da mandioca: 'Nunca imaginei', diz
Beatriz Vitória da Silva, do quilombo do Brejo de Dentro, no sertão de Pernambuco, vence 'Prêmio LED Globo 2026' Daniela Toviansky/Divulgação Iniciativas i...
Beatriz Vitória da Silva, do quilombo do Brejo de Dentro, no sertão de Pernambuco, vence 'Prêmio LED Globo 2026' Daniela Toviansky/Divulgação Iniciativas inovadoras na educação. É assim que o Movimento LED Globo - Luz na Educação reconhece projetos que geram a diferença, como o da pernambucana Beatriz Vitória da Silva, de 18 anos, vencedora do desafio na categoria estudante do ensino médio. Ela foi a representante de uma ideia para o descarte da manipueira, resíduo altamente tóxico da mandioca gerado durante a produção da farinha. Beatriz e seu projeto poderão ser vistos nesta quarta-feira (1º), no "Especial LED Globo", logo após "BBB26", com apresentação de Eliana. Além de Beatriz, outras iniciativas inovadoras que geram impacto na educação também serão apresentadas. ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE A jovem é filha de agricultores e do quilombo do Brejo de Dentro, na cidade de Carnaíba, no Sertão do estado. Ela desenvolveu o projeto FiltroPinha com outros três colegas da escola: Luana Noêmia, Eduardo Silva e Ângela Rafaela. Dois professores, Gustavo Bezerra e Carla Robécia, orientaram o trabalho na Escola Técnica Estadual (ETE) Professor Paulo Freire. Veja os vídeos que estão em alta no g1 O projeto surgiu quando um professor desafiou os alunos a criar soluções para problemas locais. A partir daí, ela e seus colegas desenvolveram um filtro ecológico produzido com a casca da pinha, fruta comum na região, capaz de absorver a carga poluente da manipueira e permitir o reaproveitamento mais seguro da água no processo produtivo. "Quando eu cheguei no ensino médio, não tinha noção de como desenvolver projeto de pesquisa, mas fui aprendendo com os meus professores e, da mesma forma que os meus orientadores transformaram a minha vida, existem muitos outros professores que também podem estar mudando a realidade de seus alunos todos os dias. E, às vezes, tudo que um estudante precisa é de alguém que acredita nele. Meus orientadores foram exatamente isso", afirmou. No projeto FiltroPinha, os resíduos do filtro ainda podem ser reaproveitados como fertilizante de liberação lenta, fechando o ciclo de aproveitamento ambiental. O protótipo final, feito com farinha e carvão ativado das cascas, custa menos de R$ 5. "Isso tudo é a maior prova de que a educação ela realmente transforma as vidas. (...) Eu nunca imaginei que estaria vivendo tudo isso. Ainda mais recebendo um prêmio tão grande e aparecendo na televisão, que é uma coisa que a gente nunca imagina, principalmente quando a gente é do interior", disse. Beatriz Vitória da Silva, seus orientadores e uma das colegas do projeto FiltroPinha Reprodução/WhatsApp Desafio Beatriz conta que todo o processo, desde a inscrição, foi intenso e desafiador. Quando soube que o projeto tinha ficado entre os 80 finalistas, já considerou uma grande conquista. A partir daí, foi avançando até chegar entre os vencedores. Antes, precisou passar por uma banca avaliadora. "Foi um momento bem desafiador. Entre os avaliadores, inclusive, estava João Pedrosa, que é professor e participou do BBB, aí eu fiquei um pouco nervosa. Além dele, tinha profissionais da área de educação, jornalistas. Foi uma experiência muito marcante, porque a gente enfrenta muitas barreiras e inseguranças, mas, ao mesmo tempo, vai se superando a cada etapa, tanto para o meu crescimento pessoal como do projeto também", contou. Agora, prestes a começar a faculdade de Ciências Econômicas na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), na Paraíba, Beatriz reforça a importância da trajetória construída até aqui. "Foi tudo construído com muito aprendizado, muita tentativa, erro e dedicação, e tudo que eu sou hoje eu devo muito aos meus orientadores. Não posso dizer que eu cheguei aqui sozinha porque eles enxergaram em mim um potencial que eu mesma não conseguia ver", contou. Prêmio LED Globo Ao todo, foram seis iniciativas vencedoras, que dividem o prêmio total de R$ 1,2 milhão; Elas foram selecionadas entre mais de 2,3 mil projetos inscritos, distribuídos nas categorias Estudantes, Educadores e Empreendedores; Em cinco anos de existência, o Prêmio LED Globo distribuiu mais de R$ 6 milhões em premiações e reconheceu 30 iniciativas inovadoras, incluindo as vencedoras desta edição; O prêmio é parte do Movimento LED Globo - Luz na Educação, uma iniciativa da Globo e Fundação Roberto Marinho, que visa reconhecer e impulsionar projetos inovadores em educação. Outros projetos vencedores Categoria Empreendedor: Laboratório de Criação em Cultura, de Selene Maria Rocha, de Fortaleza, em parceria com o Instituto Dragão do Mar; Maracatu Sensorial, de Irton Mário Silva, de São Paulo, e desenvolvido pelo Instituto Som da Pele. Categoria Educadores: Biocimento, de Thales Lima do Nascimento, de Serrinha (BA), em parceria com o Conjunto Penal; Tecer Mulher, de Leia Sousa, de Marabá (PA), e desenvolvido no âmbito da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará. Categoria Estudantes: Além do FiltroPinha, também foi premiado o projeto True, de Ysabelle Gonçalves, estudante do 1º ano do ensino médio da Firjan Sesi Senai Maracanã, no Rio de Janeiro. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias